Março de 2002

O BID E O TURISMO

O BID AJUDA A REGIÃO A CAPTAR MAIOR PARCELA DO MERCADO DE TURISMO

Projeto incentiva o investimento privado e promove a colaboração de comunidades e da sociedade civil

A América Latina poderá captar uma parcela maior da indústria mundial do turismo, estimada em US$476 bilhões, se melhorar sua infra-estrutura, envidar esforços maiores para proteger e desenvolver suas atrações e formar parcerias mais estreitas entre os principais grupos interessados do setor, segundo previsão do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O BID, com vasta experiência no setor do turismo, está atualmente financiando um grupo de operações em toda a América Latina e o Caribe cujo objetivo é maximizar os benefícios econômicos, minimizando ao mesmo tempo os impactos sociais e ambientais negativos.

A promoção do desenvolvimento do turismo na América Latina será o tema de um seminário a realizar-se durante a Reunião Anual do Banco em Fortaleza, Brasil, em 9 de março. O enfoque principal do evento será a importância de estabelecer parceiras públicas e privadas para assegurar tanto a lucratividade como os benefícios para as comunidades locais.

O seminário de Fortaleza destacará a recente experiência nos estados do Nordeste do Brasil, local de um dos maiores programas de turismo financiados pelo BID. Já próximo da conclusão, o programa Prodetur tem focalizado a remoção de limites ao desenvolvimento do turismo mediante a melhoria da infra-estrutura e dos serviços públicos nesta região assolada pela pobreza. O programa melhorou e expandiu oito aeroportos internacionais, construiu ou reparou mais de 800 km de rodovias e estradas de acesso e proporcionou abastecimento de água e esgoto a mais de 1,1 milhão de pessoas.

Além disso, o Prodetur deu passos importantes na salvaguarda de atrações que trazem turistas mediante a conservação de 22 locais de herança histórica e iniciou ações para conservar mais de 70.000 hectares de ecossistemas costeiros e áreas protegidas.

Segundo estimativas do Banco do Nordeste do Brasil, que está realizando o programa com a ajuda de um empréstimo do BID de US$400 milhões, aprovado em 1994, os investimentos do programa atraíram para a região US$6,5 bilhões adicionais em investimento privado. Além disso, geraram direta ou indiretamente um milhão de empregos na região.

No período de 1994 a 2000, as visitas de turistas ao Nordeste aumentaram de 6 milhões para 12 milhões. No mesmo período, o produto interno bruto da região aumentou 53%, ligeiramente superior ao aumento de 49% para o país como um todo.

Em 27 de fevereiro, o BID aprovou US$240 milhões em financiamento da segunda etapa do programa Prodetur que complementará o desenvolvimento da infra-estrutura da primeira etapa com uma maior participação de grupos locais interessados: setor privado, governos estadual e municipal e sociedade civil. Por meio de uma série de mecanismos, tais como discussões em fórum aberto, o programa Prodetur II assegurará que investimentos futuros no setor proporcionem o máximo de benefícios para as comunidades locais, protegendo ao mesmo tempo o meio ambiente.

"O turismo pode ser uma fonte de crescimento econômico para a região, mas precisa ser implementado de forma cuidadosa, levando em conta seus impactos indiretos", diz Raul Tuazón, chefe da equipe do novo projeto. Os impactos indiretos, freqüentemente ignorados no passado, incluem dano ao meio ambiente, tais como destruição de ecossistemas costeiros valiosos. Além disso, os novos projetos devem envidar esforços especiais para assegurar que os benefícios do ecoturismo revertam tanto para as comunidades como para os empresários do setor privado.

Um outro empréstimo de US$11 milhões do BID ao Brasil está ajudando a financiar um programa de longo prazo para impulsionar o turismo baseado na natureza nos nove estados amazônicos. No programa Proecotur, os nove estados participantes estão desenvolvendo estratégias de ecoturismo, reforçando regulamentações relacionadas com o ecoturismo, avaliando a demanda do mercado e formulando planos de gestão para as áreas protegidas.

A maior parte das atividades do Proecotur, que incluem treinamento para o setor privado e autoridades públicas locais, está sendo realizada em áreas prioritárias de cada um dos nove estados. Cada área conta com um comitê diretor constituído de representantes do setor privado e da sociedade civil, bem como de autoridade locais.

O programa Proecotur está preparando o terreno para um importante investimento turístico que deverá receber financiamento do BID.

"O BID considera o ecoturismo como um meio de agregar muito valor," diz Juan Luna-Kelser, chefe de equipe do projeto do Banco. "Oferece um veículo para proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, proporcionar empregos e preservar os valores culturais das comunidades locais."

Na Bolívia, empresários do setor privado assumirão a iniciativa de um programa inovador de turismo sustentável, financiado pelo Banco. Esse programa está convidando empresários a apresentar propostas de financiamento que incluem um plano comercial e uma parceria com uma organização não-governamental (ONG) que dirigirá as atividades relacionadas com a comunidade. Os projetos deverão produzir lucros em dois anos.

O projeto da Bolívia aproveita lições de um projeto anterior realizado pela Conservation International, uma ONG de âmbito mundial. Nesse projeto, financiado com US$1.450.000 do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do Banco, uma comunidade local é proprietária e gerente de uma pousada ecológica no Parque Nacional Madidi, da Bolívia. Considerado modelo de ecoturismo de base comunitária, esse projeto produziu os seus primeiros lucros em 2000, depois de sete anos de operação.

Outras iniciativas turísticas financiadas pelo BID incluem um projeto em Belize que está ajudando a proteger e restaurar locais arqueológicos maias e proteger a barreira de recifes. Outro projeto na América Central, chamado Mundo Maia, está ajudando a desenvolver itinerários turísticos na área de influência maia.

Segundo a Organização Mundial do Turismo, as rendas provenientes do turismo em 2000 elevaram-se a US$476 bilhões em todo o mundo. Este setor cresce cerca de 4,5% ao ano. O México é o país latino-americano com a maior parcela do mercado mundial, com 3%, seguido do Brasil.

 

CONTATO DE IMPRENSA


Christina MacCulloch
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