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Dentre
os conferencistas do seminário sobre Reformulação
das Reformas vemos, da esquerda para a direita:
Eduardo Lora, assessor-chefe de economia do BID; Joaquim
Vireira Ferreira Levy, economista-chefe do ministério
do Planejamento do Brasil; Enrique V. Iglesias, presidente
do BID; e Guillermo Calvo, economista-chefe do BID. (Foto
de Z. Perrú)
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Economistas de
renome e outros especialistas em América Latina e Caribe
alertaram hoje para o fato de que há uma reação
contra o processo de reformas que está varrendo a região,
acrescentando que serão necessárias novas abordagens
no combate a questões prementes como corrupção,
desigualdade de renda, arrecadações fiscais
desiguais e desilusão com a democracia.
Um documento apresentado
por dois economistas, Eduardo Lora, assessor-chefe do Departamento
de Pesquisas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e
Ugo Panizza, economista do Banco, destacou a crescente insatisfação
com as reformas nos últimos anos, especialmente entre
a classe média.
Pesquisas de opinião
recentes mostram que os latino-americanos têm um conceito
muito baixo das ondas de privatização de empresas
estatais ocorridas na década de 90: 63% dos entrevistados
consideram o resultado negativo.
O que frustra
os latino-americanos não são as privatizações
em si, mas a corrupção que as cerca em alguns
países, comentou Lora.
Dois em três
latino-americanos estão insatisfeitos com os resultados
da democracia e apenas um em cada dois acreditam que a democracia
é a melhor forma de governo, segundo pesquisa de opinião
sobre o tema.
O documento concluiu
que, apesar da decepcionante taxa de crescimento registrada
na década de 90 e da recessão atual, a região
deve dar prosseguimento às reformas com maior cautela,
integrando o fortalecimento de instituições
públicas e privadas para que as reformas funcionem,
enquanto se adotam medidas que propiciem o aumento de renda
em bases eqüitativas.
O estudo observou,
igualmente, que algumas reformas foram mais bem sucedidas
do que outras a liberalização comercial
e as reformas financeiras avançaram bem, a reforma
fiscal e as privatizações foram desiguais, enquanto
a reforma trabalhista foi insuficiente.
Lora e Panizza
apresentaram seu documento no seminário A Reformulação
das Reformas, um dos vários eventos que acontecem
em Fortaleza no marco da 43ª Assembléia Anual do Banco
Interamericano de Desenvolvimento.
Apesar da desigualdade
que caracterizou o processo de reformas na década de
90, a renda per capita na América Latina é
11% superior ao que seria sem as reformas, afirmaram
Lora e Panizza.
TURISMO SUSTENTÁVEL PODE PROMOVER METAS SOCIAIS E ECONÔMICAS
Definindo o turismo
como um instrumento de integração cultural
e econômica, bem como uma força motriz
para o crescimento econômico, o presidente do BID, Enrique
V. Iglesias, expôs hoje uma série de lições
que o Banco aprendeu a partir de sua longa experiência
na área.
Iglesias fez suas
observações durante o almoço que constituiu
uma das sessões do seminário sobre Desenvolvimento
de Turismo Sustentável, realizado no marco da
43ª Assembléia Anual dos Governadores do BID. Participaram,
também, do seminário, o ministro do Planejamento
do Brasil, Martus Tavares, o ministro do Esporte e Turismo
do Brasil, Caio Luiz de Carvalho, o vice-presidente de planejamento
e administração do BID, Paulo Paiva, o presidente
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
do Brasil (BNDES), e o presidente do Banco do Nordeste, Byron
Queiroz. O seminário foi organizado pelo Banco do Nordeste,
executor da primeira fase de um grande projeto turístico
financiado pelo BID o PRODETUR.
Um dos requisitos
para o turismo sustentável mencionado por Iglesias
é o fato de que os benefícios do setor devem
ser distribuídos entre toda a população.
Se esperamos que uma comunidade aceite os impactos negativos
do turismo, a população local deve compartilhar
também os benefícios. Ao mesmo tempo, esforços
especiais devem se envidados para evitar efeitos sociais e
ambientais negativos.
Iglesias também
enfatizou a necessidade de um planejamento cuidadoso na construção
de infra-estrutura para o turismo. Admitiu que obter consenso
no desenvolvimento do turismo requer um processo longo
e completo e pediu a criação de mecanismos
institucionais que tornem o processo mais eficiente.
A experiência
do BID no setor de turismo também tem demonstrado a
necessidade de que os membros das comunidades locais sejam
capacitados para satisfazer às demandas diretas dos
turistas, bem como para garantir os serviços públicos
básicos. A capacitação produz empregos,
que por sua vez contribuem para a estabilidade da indústria
do turismo e aumentam a tolerância da população
local em relação aos impactos inevitáveis
do turismo.
Iglesias também
pediu uma participação significativa do setor
privado. Para que isso ocorra, empresários e investidores
potenciais devem receber informações completas
não apenas sobre as atrações turísticas,
como também sobre a demanda de turismo, a disponibilidade
de pessoal capacitado e a oposição local a investimentos
em turismo.
Ao encerrar, o
presidente do BID enfatizou a disposição da
instituição de estudar a concessão de
financiamentos para novas iniciativas no setor.
Em suas observações,
o vice-presidente Paiva ratificou a importância do turismo
como um mecanismo de inclusão social, acrescentando
que seus benefícios fluem para todos os segmentos da
sociedade, desde os investidores e proprietários de
hotéis, até artesãos, guias, funcionários
de hotéis e muitos outros.
Outras atividades
A Assembléia
Anual do BID é o fórum para a realização
de cerimônias de assinatura de empréstimos previamente
aprovados pelo Conselho Executivo do Banco. Veja comunicados
de imprensa na página
da Assembléia Anual do Banco na Internet.
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