9 de março 2002

ESTUDO DO BID ALERTA PARA DESILUSÃO COM DEMOCRACIA

Dentre os conferencistas do seminário sobre “Reformulação das Reformas” vemos, da esquerda para a direita: Eduardo Lora, assessor-chefe de economia do BID; Joaquim Vireira Ferreira Levy, economista-chefe do ministério do Planejamento do Brasil; Enrique V. Iglesias, presidente do BID; e Guillermo Calvo, economista-chefe do BID. (Foto de Z. Perrú)

Economistas de renome e outros especialistas em América Latina e Caribe alertaram hoje para o fato de que há uma reação contra o processo de reformas que está varrendo a região, acrescentando que serão necessárias novas abordagens no combate a questões prementes como corrupção, desigualdade de renda, arrecadações fiscais desiguais e desilusão com a democracia.

Um documento apresentado por dois economistas, Eduardo Lora, assessor-chefe do Departamento de Pesquisas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e Ugo Panizza, economista do Banco, destacou a crescente insatisfação com as reformas nos últimos anos, especialmente entre a classe média.

Pesquisas de opinião recentes mostram que os latino-americanos têm um conceito muito baixo das ondas de privatização de empresas estatais ocorridas na década de 90: 63% dos entrevistados consideram o resultado negativo.

“O que frustra os latino-americanos não são as privatizações em si, mas a corrupção que as cerca em alguns países”, comentou Lora.

Dois em três latino-americanos estão insatisfeitos com os resultados da democracia e apenas um em cada dois acreditam que a democracia é a melhor forma de governo, segundo pesquisa de opinião sobre o tema.

O documento concluiu que, apesar da decepcionante taxa de crescimento registrada na década de 90 e da recessão atual, a região deve dar prosseguimento às reformas com maior cautela, integrando o fortalecimento de instituições públicas e privadas para que as reformas funcionem, enquanto se adotam medidas que propiciem o aumento de renda em bases eqüitativas.

O estudo observou, igualmente, que algumas reformas foram mais bem sucedidas do que outras – a liberalização comercial e as reformas financeiras avançaram bem, a reforma fiscal e as privatizações foram desiguais, enquanto a reforma trabalhista foi insuficiente.

Lora e Panizza apresentaram seu documento no seminário “A Reformulação das Reformas”, um dos vários eventos que acontecem em Fortaleza no marco da 43ª Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Apesar da desigualdade que caracterizou o processo de reformas na década de 90, “a renda per capita na América Latina é 11% superior ao que seria sem as reformas”, afirmaram Lora e Panizza.

TURISMO SUSTENTÁVEL PODE PROMOVER METAS SOCIAIS E ECONÔMICAS

Definindo o turismo como um “instrumento de integração cultural e econômica”, bem como uma força motriz para o crescimento econômico, o presidente do BID, Enrique V. Iglesias, expôs hoje uma série de lições que o Banco aprendeu a partir de sua longa experiência na área.

Iglesias fez suas observações durante o almoço que constituiu uma das sessões do seminário sobre “Desenvolvimento de Turismo Sustentável”, realizado no marco da 43ª Assembléia Anual dos Governadores do BID. Participaram, também, do seminário, o ministro do Planejamento do Brasil, Martus Tavares, o ministro do Esporte e Turismo do Brasil, Caio Luiz de Carvalho, o vice-presidente de planejamento e administração do BID, Paulo Paiva, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES), e o presidente do Banco do Nordeste, Byron Queiroz. O seminário foi organizado pelo Banco do Nordeste, executor da primeira fase de um grande projeto turístico financiado pelo BID – o PRODETUR.

Um dos requisitos para o turismo sustentável mencionado por Iglesias é o fato de que os benefícios do setor devem ser distribuídos entre toda a população. Se esperamos que uma comunidade aceite os impactos negativos do turismo, a população local deve compartilhar também os benefícios. Ao mesmo tempo, esforços especiais devem se envidados para evitar efeitos sociais e ambientais negativos.

Iglesias também enfatizou a necessidade de um planejamento cuidadoso na construção de infra-estrutura para o turismo. Admitiu que obter consenso no desenvolvimento do turismo requer um processo “longo e completo” e pediu a criação de mecanismos institucionais que tornem o processo mais eficiente.

A experiência do BID no setor de turismo também tem demonstrado a necessidade de que os membros das comunidades locais sejam capacitados para satisfazer às demandas diretas dos turistas, bem como para garantir os serviços públicos básicos. A capacitação produz empregos, que por sua vez contribuem para a estabilidade da indústria do turismo e aumentam a tolerância da população local em relação aos impactos inevitáveis do turismo.

Iglesias também pediu uma participação significativa do setor privado. Para que isso ocorra, empresários e investidores potenciais devem receber informações completas não apenas sobre as atrações turísticas, como também sobre a demanda de turismo, a disponibilidade de pessoal capacitado e a oposição local a investimentos em turismo.

Ao encerrar, o presidente do BID enfatizou a disposição da instituição de estudar a concessão de financiamentos para novas iniciativas no setor.

Em suas observações, o vice-presidente Paiva ratificou a importância do turismo como um mecanismo de inclusão social, acrescentando que seus benefícios fluem para todos os segmentos da sociedade, desde os investidores e proprietários de hotéis, até artesãos, guias, funcionários de hotéis e muitos outros.

Outras atividades

A Assembléia Anual do BID é o fórum para a realização de cerimônias de assinatura de empréstimos previamente aprovados pelo Conselho Executivo do Banco. Veja comunicados de imprensa na página da Assembléia Anual do Banco na Internet.