7 de março 2002

PRESIDENTE DO BID E PRIMEIRA-DAMA DO BRASIL ELOGIAM INICIATIVAS DE JOVENS

A primeira-dama do Brasil, Ruth Cardoso, conversa com o presidente do BID, Enrique V. Iglesias, na abertura do seminário “Liderança Jovem no Século XXI”. (Foto de W. Heinz)

Centenas de jovens, altas personalidades, representantes dos setores público e privado e da sociedade civil participaram hoje do seminário “Liderança Jovem no Século XXI”, aberto oficialmente pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique V. Iglesias, e pela primeira-dama do Brasil, Ruth Cardoso.

Na abertura do encontro, a assessora de Relações Exteriores do BID, Mirna Liévano de Márques, deu as boas-vindas aos participantes e Jean Rozwadowski, presidente da MasterCard International para a América Latina e o Caribe, empresa co-patrocinadora do evento, dirigiu mensagem especial aos jovens.

“Vocês representam todos aqueles jovens que estão trabalhando na região de forma pró-ativa como agentes de mudança”, disse Iglesias ao saudar os participantes. “Incentivo-os a continuar compartilhando seu conhecimento, sua capacidade e suas habilidades com muitos outros jovens, para que possamos criar uma força incontida de mudança em nossos bairros, nossas cidades e nossos países”, acrescentou.

“O BID vem adotando, nos últimos anos, um novo paradigma na área de desenvolvimento jovem”, indicou Iglesias. “A contribuição dos jovens é indispensável para o desenvolvimento de suas comunidades e de seus países os quais, estamos convencidos, são mais do que meros receptores de serviços. Os jovens representam uma fonte inesgotável de energia, talento e idéias que não podemos ignorar”, salientou.

A Sra. Ruth Cardoso se referiu às preocupações dos educadores e formuladores de políticas públicas face os problemas que afligem os jovens e a sociedade. “As dificuldades de integração dos jovens não decorrem apenas de falta de conhecimentos específicos que facilitem a entrada no mercado de trabalho”, enfatizou. “Às formas tradicionais de discriminação acrescentam-se barreiras simbólicas que dificultam a incorporação e a convivência entre os diferentes grupos de idade”, acrescentou.

Com os modernos meios de comunicação que transpõem fronteiras, mesmo as regiões mais pobres participam do mundo global e os jovens adotam sua própria cultura e seus próprios códigos de conduta, ressaltou a primeira-dama e presidente do conselho do programa Comunidade Solidária, entidade que liderou numerosas iniciativas em prol da juventude.

“Os jovens têm papel importante nesse processo de mudança. São portadores de inovação, mas sofrem com as exigências que os afastam do mercado de trabalho. É preciso reconhecer que o caminho deles é difícil e que devem ser integrados à sociedade”, concluiu.

Diversidade no ensino superior

Também hoje, o ministro da Educação do Brasil, Paulo Renato de Souza, e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique V. Iglesias, assinaram protocolo de intenções no qual se comprometem a apoiar um programa para promover a diversidade no ensino superior. O ministro do Planejamento, Martus Tavares, participou da solenidade como testemunha de honra.

Durante a solenidade, as duas autoridades reiteraram seu desejo de dar prosseguimento ao programa, que poderia receber um financiamento de até US$ 5 milhões do BID, sujeito à aprovação da Diretoria Executiva do Banco.

O ministro do Planejamento do Brasil coordenaria o programa, que poderia contemplar estudos, pesquisas e instrumentos para a formulação de políticas e estratégias de inclusão social, o fortalecimento institucional do ministério, o treinamento e a assistência técnica ao pessoal docente, além de apoio a projetos inovadores que promovam o acesso de minorias, tais como afro-descendentes e indígenas, à educação superior

Redução da pobreza e desenvolvimento rural

Ao abrir oficialmente um seminário sobre desenvolvimento rural, Iglesias assinalou que, após anos de esquecimento, a economia rural voltou a converter-se em um dos temas centrais do debate sobre desenvolvimento.

“Agora devemos nos concentrar nos elementos básicos que nos permitam melhorar o padrão de vida nas zonas rurais”, declarou. “Ademais, neste ano e no próximo não esperamos um grande crescimento no nível regional. Isso requer, uma vez mais, que pensemos em políticas e programas concretos de investimentos que produzam melhores resultados”.

Na maioria dos países da América Latina e do Caribe, a pobreza rural se manteve quase inalterada durante as duas últimas décadas. Hoje, dois em cada três habitantes do campo são pobres. Quase um quarto da população da região é rural.

Iglesias salientou que nos últimos anos os países da América Latina e do Caribe, bem como instituições de auxílio e desenvolvimento, concluíram que não é possível reduzir a pobreza e gerar crescimento sustentável sem investimentos em zonas rurais.

A água e o setor privado

Iglesias pediu, hoje, um maior envolvimento do setor privado na solução do que qualificou de “um problema urgente” de financiamento e administração de recursos hídricos nos países da América Latina e do Caribe.
Iglesias observou que os recursos públicos são insuficientes para financiar os serviços de água potável e saneamento necessários para atender aos milhões de pessoas que ainda carecem desses serviços na região. “Se
não aprendermos a trabalhar com o setor privado, não poderemos resolver esse problema”, disse Iglesias.

Ao declarar que a questão dos recursos hídricos é essencial para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza, Iglesias garantiu o apoio do BID para o treinamento de governos locais e o estabelecimento de parcerias entre os setores público e privado.

Também participaram do evento o governador do Ceará, Tasso Jereissati, o ex-diretor-administrativo do FMI, Michel Camdessus, o subsecretário de Meio Ambiente do Brasil, Raymundo Garrido, além de especialistas dos setores público e privado do Brasil e de outros países membros do BID.

Os resultados do seminário serão aproveitados na elaboração de um plano de ação destinado a solucionar os problemas mais urgentes da região associados à água. O plano também apoiará os objetivos do Terceiro Fórum Mundial da Água, programado para março de 2003, no Japão.