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A
primeira-dama do Brasil, Ruth Cardoso, conversa com o
presidente do BID, Enrique V. Iglesias, na abertura do
seminário Liderança Jovem no Século
XXI. (Foto de W. Heinz)
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Centenas de jovens,
altas personalidades, representantes dos setores público
e privado e da sociedade civil participaram hoje do seminário
Liderança Jovem no Século XXI, aberto
oficialmente pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento,
Enrique V. Iglesias, e pela primeira-dama do Brasil, Ruth
Cardoso.
Na abertura do
encontro, a assessora de Relações Exteriores
do BID, Mirna Liévano de Márques, deu as boas-vindas
aos participantes e Jean Rozwadowski, presidente da MasterCard
International para a América Latina e o Caribe, empresa
co-patrocinadora do evento, dirigiu mensagem especial aos
jovens.
Vocês
representam todos aqueles jovens que estão trabalhando
na região de forma pró-ativa como agentes de
mudança, disse Iglesias ao saudar os participantes.
Incentivo-os a continuar compartilhando seu conhecimento,
sua capacidade e suas habilidades com muitos outros jovens,
para que possamos criar uma força incontida de mudança
em nossos bairros, nossas cidades e nossos países,
acrescentou.
O BID vem
adotando, nos últimos anos, um novo paradigma na área
de desenvolvimento jovem, indicou Iglesias. A
contribuição dos jovens é indispensável
para o desenvolvimento de suas comunidades e de seus países
os quais, estamos convencidos, são mais do que meros
receptores de serviços. Os jovens representam uma fonte
inesgotável de energia, talento e idéias que
não podemos ignorar, salientou.
A Sra. Ruth Cardoso
se referiu às preocupações dos educadores
e formuladores de políticas públicas face os
problemas que afligem os jovens e a sociedade. As dificuldades
de integração dos jovens não decorrem
apenas de falta de conhecimentos específicos que facilitem
a entrada no mercado de trabalho, enfatizou. Às
formas tradicionais de discriminação acrescentam-se
barreiras simbólicas que dificultam a incorporação
e a convivência entre os diferentes grupos de idade,
acrescentou.
Com os modernos
meios de comunicação que transpõem fronteiras,
mesmo as regiões mais pobres participam do mundo global
e os jovens adotam sua própria cultura e seus próprios
códigos de conduta, ressaltou a primeira-dama e presidente
do conselho do programa Comunidade Solidária, entidade
que liderou numerosas iniciativas em prol da juventude.
Os jovens
têm papel importante nesse processo de mudança.
São portadores de inovação, mas sofrem
com as exigências que os afastam do mercado de trabalho.
É preciso reconhecer que o caminho deles é difícil
e que devem ser integrados à sociedade, concluiu.
Diversidade
no ensino superior
Também
hoje, o ministro da Educação do Brasil, Paulo
Renato de Souza, e o presidente do Banco Interamericano de
Desenvolvimento, Enrique V. Iglesias, assinaram protocolo
de intenções no qual se comprometem a apoiar
um programa para promover a diversidade no ensino superior.
O ministro do Planejamento, Martus Tavares, participou da
solenidade como testemunha de honra.
Durante a solenidade,
as duas autoridades reiteraram seu desejo de dar prosseguimento
ao programa, que poderia receber um financiamento de até
US$ 5 milhões do BID, sujeito à aprovação
da Diretoria Executiva do Banco.
O ministro do
Planejamento do Brasil coordenaria o programa, que poderia
contemplar estudos, pesquisas e instrumentos para a formulação
de políticas e estratégias de inclusão
social, o fortalecimento institucional do ministério,
o treinamento e a assistência técnica ao pessoal
docente, além de apoio a projetos inovadores que promovam
o acesso de minorias, tais como afro-descendentes e indígenas,
à educação superior
Redução da pobreza e desenvolvimento rural
Ao abrir oficialmente
um seminário sobre desenvolvimento rural, Iglesias
assinalou que, após anos de esquecimento, a economia
rural voltou a converter-se em um dos temas centrais do debate
sobre desenvolvimento.
Agora devemos
nos concentrar nos elementos básicos que nos permitam
melhorar o padrão de vida nas zonas rurais, declarou.
Ademais, neste ano e no próximo não esperamos
um grande crescimento no nível regional. Isso requer,
uma vez mais, que pensemos em políticas e programas
concretos de investimentos que produzam melhores resultados.
Na maioria dos
países da América Latina e do Caribe, a pobreza
rural se manteve quase inalterada durante as duas últimas
décadas. Hoje, dois em cada três habitantes do
campo são pobres. Quase um quarto da população
da região é rural.
Iglesias salientou
que nos últimos anos os países da América
Latina e do Caribe, bem como instituições de
auxílio e desenvolvimento, concluíram que não
é possível reduzir a pobreza e gerar crescimento
sustentável sem investimentos em zonas rurais.
A água
e o setor privado
Iglesias pediu,
hoje, um maior envolvimento do setor privado na solução
do que qualificou de um problema urgente de financiamento
e administração de recursos hídricos
nos países da América Latina e do Caribe.
Iglesias observou que os recursos públicos são
insuficientes para financiar os serviços de água
potável e saneamento necessários para atender
aos milhões de pessoas que ainda carecem desses serviços
na região. Se não
aprendermos a trabalhar com o setor privado, não poderemos
resolver esse problema, disse Iglesias.
Ao declarar que
a questão dos recursos hídricos é essencial
para o desenvolvimento sustentável e a redução
da pobreza, Iglesias garantiu o apoio do BID para o treinamento
de governos locais e o estabelecimento de parcerias entre
os setores público e privado.
Também
participaram do evento o governador do Ceará, Tasso
Jereissati, o ex-diretor-administrativo do FMI, Michel Camdessus,
o subsecretário de Meio Ambiente do Brasil, Raymundo
Garrido, além de especialistas dos setores público
e privado do Brasil e de outros países membros do BID.
Os resultados
do seminário serão aproveitados na elaboração
de um plano de ação destinado a solucionar os
problemas mais urgentes da região associados à
água. O plano também apoiará os objetivos
do Terceiro Fórum Mundial da Água, programado
para março de 2003, no Japão.
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