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O
presidente do BID, Enrique V. Iglesias, encerrou a reunião
anual da Assembléia dos Governadores do Banco,
que teve lugar na cidade nordestina de Fortaleza. A próxima
reunião será realizada em Milão,
Itália. (Foto de W. Heinz)
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A América
Latina e o Caribe atravessam um período preocupante
após dois anos de estagnação, mas a região
se mantém firme em sua defesa de políticas econômicas
responsáveis e da democracia, afirmou hoje o presidente
do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique V. Iglesias.
A América
Latina está atravessando alguns momentos de preocupação,
momentos difíceis e, em alguns casos, dolorosas experiências.
Mas em termos gerais, essas dores de parto não são
dores de morte, disse Iglesias em seu discurso de encerramento
da 43ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores
do BID.
Iglesias ressaltou
que os países da América Latina e do Caribe
empreenderam grandes esforços em anos recentes para
consolidar a estabilidade macroeconômica e continuam
demonstrando desejo de recuperar o crescimento sem ceder à
opção fácil do populismo.
Segundo o presidente
do BID, se essa mesma crise houvesse surpreendido os países
latino-americanos nas condições macroeconômicas
que imperavam há duas décadas, os resultados
teriam sido catastróficos.
A América Latina fez muito e o está demonstrando
na forma como vem se protegendo nas atuais circunstâncias,
assinalou Iglesias. Essa proteção se manifesta
em sua maturidade política, onde não há
lugar para o autoritarismo do passado, na maturidade de suas
políticas macroeconômicas.
Entretanto, acrescentou,
a região ainda enfrenta grandes desafios: sua vulnerabilidade
externa e os déficits sociais que afligem seus povos.
A chave para superar esses desafios, afirmou Iglesias, está
no aumento significativo da competitividade de seus setores
produtivos, na eficácia de seus governos e no crescimento
de suas economias.
A reunião
anual do BID, realizada este ano na cidade nordestina de Fortaleza,
teve como um de seus focos de atenção a crise
argentina. Iglesias destacou as manifestações
de solidariedade dos demais países membros para com
o governo e o povo argentino. Nesse sentido, expressou o desejo
do BID de apoiar os esforços de recuperação
daquele país, que está negociando um novo acordo
com o Fundo Monetário Internacional.
Tanto a atual
conjuntura da região quanto as perspectivas econômicas
internacionais estimulam os países membros do BID a
considerar alternativas para recuperar o crescimento econômico
e reduzir a pobreza, a desigualdade e a exclusão social.
Dentre essas alternativas, Iglesias destacou o apoio à
integração regional, a valorização
da microempresa e os esforços para aumentar a produtividade
e gerar um ambiente jurídico e regulador propício
aos investimentos.
A fim de ajudar
os países tomadores de empréstimos a enfrentar
os efeitos das turbulências financeiras, a Assembléia
de Governadores do BID confirmou a criação de
uma linha de empréstimos emergenciais de US$ 6 bilhões
para o período 2002-2004. Iglesias assinalou que esses
recursos estarão disponíveis para aliviar os
custos sociais dos processos de ajuste econômico e para
ajudar os países a preservar os resultados positivos
de suas reformas.Além disso, o presidente do BID assinalou
que os países membros terão novas oportunidade
para abordar esses temas na reunião das Nações
Unidas sobre desenvolvimento e finanças, que acontecerá
na cidade mexicana de Monterrey na próxima semana.
Em seu discurso
de encerramento, o ministro do Planejamento, Gestão
e Orçamento do Brasil e novo presidente da Assembléia
de Governadores do BID, Martus Tavares, ressaltou o papel
que as instituições financeiras multilaterais
devem desempenhar na prevenção e mitigação
dos efeitos da volatilidade dos mercados internacionais.
Tavares assinalou
que parte da solução desse problema está
nas mãos dos governos nacionais, que devem manter políticas
macroeconômicas responsáveis, mas acrescentou
que o aporte das instituições financeiras internacionais
é essencial para esse fim.
Além disso,
aplaudiu a decisão da Assembléia de Governadores
do BID de implementar uma linha de empréstimos emergenciais,
mas observou que faltam novos instrumentos financeiros para
evitar que a crises se propaguem e repercutam nas economias
da região.
Os governadores
também ressaltaram diversas propostas formuladas em
um relatório do Grupo de Assessoramento Externo sobre
como o BID pode contribuir para aumentar a competitividade
as economias de seus tomadores de empréstimo. O relatório
apresentado enfatiza ações como o aprimoramento
do ambiente para investimentos, intensificação
do apoio a o setor privado, o desenvolvimento dos mercados
de capital nacionais, a criação de mecanismos
financeiros para a prevenção de crises e o aprofundamento
da integração regional.
Nesse sentido,
Tavares apoiou uma proposta para a criação de
um grupo de assessoramento externo para a Corporação
Interamericana de Investimentos.
Este ano a reunião
anual do BID aconteceu em Fortaleza, capital do estado de
Ceará. Iglesias destacou a decisão de
realizar esse evento em uma zona em desenvolvimento, enfatizando
que a cidade nordestina ofereceu um marco de referência
ideal para comprovar como uma região pobre pode progredir
com esforço, programas adequados, apoio social e vontade
política, mesmo em condições adversas.
Durante a reunião
anual foram assinados documentos relacionados a operações
do BID e do Fundo Multilateral de Investimentos no valor de
cerca de US$ 4,1 bilhões para apoiar projetos de desenvolvimento
econômico e social em diversos países latino-americanos.
Seminários
sobre temas econômicos, sociais e políticos
Como é
tradicional nestas reuniões, realizou-se uma serie
de seminários organizados pelos departamentos do BID
sobre assuntos econômicos de grande atualidade e sobre
diferentes temas associados ao desenvolvimento a médio
e longo prazo. Essas conferências, que contaram com
o valioso apoio de vários governos de países
membros, atraíram centenas de autoridades da região,
especialistas, acadêmicos e representantes do setor
privado, da sociedade civil e de organismos internacionais.
O Departamento
de Pesquisas do BID realizou um seminário sobre a crise
argentina e suas lições para a região,
que contou com a participação dos ministros
da fazenda da Argentina, do Chile, México e Peru. Essa
sessão destacou que as economias abertas recuperam-se
mais rapidamente das crises do que as economias fechadas.
Também se destacou a necessidade de sanear os sistemas
financeiros para permitir a recuperação da atividade
econômica e o desenvolvimento de políticas anticíclicas
para reduzir a volatilidade que tem caracterizado a região.
Outros seminários
analisaram os resultados das reformas estruturais empreendidas
nas duas últimas décadas, o ressurgimento das
crises macroeconômicas, os desafios do novo regionalismo
e as perspectivas das negociações de comércio
regionais e mundiais, o desenvolvimento de novos serviços
e produtos financeiros para pequenas e medias empresas e as
iniciativas de integração regional como o Plano
Puebla Panamá e a Iniciativa da Integração
da Infra-estrutura Regional Sul-americana.
Além disso,
foram realizadas conferências sobre o desenvolvimento
das economias rurais e o combate à pobreza no campo,
a gestão de recursos hídricos, a expansão
e a qualidade da educação superior e da ciência
e tecnologia, a resposta ao HIV/AIDS e a bem sucedida experiência
brasileira para atacar essa doença, o potencial econômico
do desenvolvimento turístico sustentável, os
diálogos sociais e experiência participativa
dos conselhos ambientais brasileiros e a formação
de líderes jovens e sua contribuição
a o desenvolvimento de seus países e comunidades.
A reunião
anual do BID também serviu de marco para duas conferências
sobre temas políticos. O presidente do Brasil, Fernando
Henrique Cardoso, e seus pares do Peru, Alejandro Toledo,
e do Equador, Gustavo Noboa, falaram em um seminário
sobre os riscos para a democracia na América Latina.
O ex-presidente chileno Patricio Aylwin e o presidente da
região da Lombardia, Roberto Formigoni analisaram o
desafio que representam os questionamentos aos governos pelos
déficit sociais que afligem a região.
Além disso,
os presidentes Noboa e Toledo participaram de um seminário
sobre a consolidação da paz e o desenvolvimento
econômico e social na fronteira entre Equador e Peru,
um processo que conta com o apoio de países amigos
e instituições internacionais como o BID.
Resoluções
das Assembléias de Governadores do BID e da CII
Durante a reunião
anual de Fortaleza, as Assembléias de Governadores
do BID e da CII adotaram as seguintes resoluções:
- A Assembléia
de Governadores do BID confirmou um marco de referência
para as operações do Banco no período
2002-2004. Durante esse triênio, o BID terá
uma capacidade operacional de US$ 26 bilhões, composta
por US$ 15,5 bilhões para projetos de investimento,
US$ 6 bilhões para empréstimos emergenciais
e US$ 4,5 bilhões para empréstimos setoriais.
- De sua parte,
a Assembléia de Governadores da CII adotou medidas
para aumentar a capacidade operacional da Corporação
e atrair maiores recursos de co-financiamento de países
membros não mutuários.
A próxima
reunião anual das Assembléias de Governadores
do BID e da CII serão realizadas de 24 a 26 de março
de 2003, em Milão, a convite do governo da Itália.
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