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A
crise argentina foi analizada num seminário organizado
pelo Departamento de Pesquisa do BID. Os ministros da
fazenda da Argentina, Chile, México e Peru participaram
da primeira sessão do seminário. Na foto,
da esquerda para a direita, o ministro da Economia argentino,
Jorge Remes Lenicov; o presidente do BID, Enrique V. Iglesias,
e o ministro da Fazenda do Chile, Nicolás Eyzaguirre.(Foto
de W. Heinz)
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Os ministros da
Economia da Argentina, do Chile, do México e do Peru
analisaram hoje, em seminário realizado no marco da
Reunião Anual do BID, a crise argentina e as lições
que esta oferece a outras economias da América Latina
e do Caribe.
Em seu discurso
de abertura, o presidente do BID, Enrique V. Iglesias, enfatizou
os esforços do governo do presidente Eduardo Duhalde
para vencer uma recessão que afeta a economia argentina
há quase quatro anos.
É
preciso dizer que muito foi feito em setenta dias, declarou
Iglesias. Isso demonstra a decisão do Governo
argentino de adotar medidas para enfrentar a difícil
situação em que o país se encontra.
Em seu discurso,
o ministro da Economia argentino Jorge Remes Lenicov, observou
que seu país está enfrentando sua mais grave
crise desde meados do século IX. No momento, acrescentou,
quase um terço da população tem problemas
de emprego e mais de 40% dos argentinos vive abaixo da linha
de pobreza.
Remes disse que
o governo do presidente Duhalde, que assumiu o poder em janeiro,
após as renúncias de seus antecessores, está
adotando medidas financeiras, monetárias, fiscais,
cambiais e sociais para enfrentar a situação
caótica que levou à desvalorização
do peso argentino e a uma paralisia dos sistemas financeiros
do país.
Em suas observações,
o ministro da Fazenda do México, José Francisco
Gil Díaz, apresentou aos participantes do seminário
uma comparação entre as crises econômicas
que afetaram seu país em 1983 e 1995.
Foram necessários
seis anos para que a economia mexicana se recuperasse da crise
da dívida. Em contrapartida, o país se recuperou
da crise de 1995 em apenas sete meses. A principal diferença,
disse Gil Díaz, foi o grau de abertura econômica
nesses períodos. Na primeira crise, os mercados mexicanos
estavam muito mais fechados do que na segunda, quando a indústria
pôde canalizar sua produção para os mercados
de exportação.
O ministro da
Fazenda do Chile, Nicolás Eyzaguirre, observou que,
em 1982, seu país passou por uma crise financeira semelhante
à atual crise argentina. Aquele revés custou
ao Chile uma queda de 15% em seu Produto Interno Bruto e uma
redução de 30% na demanda interna.
Graças
às reformas implementadas desde então, o Chile
tem resistido a várias crises internacionais, com crescentes
graus de sucesso. Em 1998, a crise da Ásia custou à
economia chilena uma queda de pouco mais de 1% de seu PIB,
enquanto a demanda interna caiu 10%. Mais recentemente, em
meio à crise que assolou a Argentina, a economia chilena
cresceu 3% e a demanda interna se manteve estável.
O ministro da
Economia do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, manifestou sua preocupação
com os efeitos que as perdas sofridas na Argentina por bancos
comerciais estrangeiros e empresas de utilidade pública
poderiam causar em outros países latino-americanos.
Dentre as lições
que extraiu da crise argentina, Kuczynski disse considerar
a abertura de mercados fator crucial para assegurar uma rápida
recuperação. Nesse sentido, o ministro peruano
disse esperar que os impostos sobre exportações
recentemente impostos pelas autoridades argentinas sejam medidas
temporárias para cobrir necessidades fiscais essenciais.
É
tentador fechar a economia adotando-se medidas protecionistas,
mas isso retarda a recuperação, acrescentou
Kuczynski.
No encerramento
da sessão, Iglesias lembrou que os acordos que a Argentina
está negociando no momento com o Fundo Monetário
Internacional servirão de plataforma para cooperação
futura.
A Argentina,
com base em um programa consistente e sustentável como
o que começa a se conformar com os passos adotados
por seu governo, poderá obter uma resposta adequada
da cooperação internacional. Creio que estamos
na direção certa, concluiu.
México
e BD assinam acordos de US$ 1.6 bilhão
Autoridades do
México e do Banco Interamericano de Desenvolvimento
assinaram hoje os contratos de três empréstimos
totalizando US$ 1.6 bilhão de dólares, destinado
a apoiar programas mexicanos de descentralização,
capacitação profissional e combate à
pobreza.
O ministro da
Fazenda do México, José Francisco Gil Díaz,
e o presidente do BID, Enrique V. Iglesias, assinaram os contratos
de um empréstimo de US$ 1 bilhão para apoiar
a expansão e consolidação do Programa
de Desenvolvimento Humano Oportunidades e de um empréstimo
de US$ 300 milhões destinado ao financiamento de um
programa de capacitação profissional e emprego.
O Programa se
baseia em ações que combatem as raízes
da pobreza, a fim de romper o círculo vicioso de transmissão
da pobreza de geração para geração.
O Oportunidades é um programa de desenvolvimento humano
que promove a co-responsabilidade das famílias beneficiárias,
as quais devem manter seus filhos na escola, buscar o atendimento
preventivo e a assistência das unidades de saúde
e melhorar sua dieta alimentar.
O presidente Iglesias
e o Diretor do Banco Nacional de Obras e Serviços Públicos
(BANOBRAS), Tomás Ruiz González assinaram, ainda,
os documentos de um outro empréstimo de US$ 300 milhões
destinado a apoiar o programa de Fortalecimento de Estados
e Municípios.
Itália
considerada exemplo para pequenas e médias empresas
A Itália
e particularmente a Lombardia é um exemplo
de como o forte setor de pequenas e médias empresas
pode beneficiar a economia de uma região e a sociedade
como um todo, segundo conferencistas de um seminário
realizado hoje em Fortaleza, Brasil.
Na Lombardia,
as pequenas e médias empresas criaram uma sociedade
coesa, baseada em uma economia forte e em famílias
sólidas, disse Roberto Formigoni, presidente
da região da Lombardia, no local de realização
da Reunião Anual do BID.
A Lombardia sediará
a Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento
de 2003, que acontecerá em sua capital, Milão.
Falando em nome
do país anfitrião da Reunião Anual de
2002, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, também
exaltou os benefícios das pequenas e médias
empresas como força propulsora de crescimento econômico.
O governador descreveu os esforços de se estado para
adaptar o modelo italiano aos ambientes social e histórico
locais.
Expressou, em
particular, interesse pela forma como o Ceará poderia
criar mecanismos para atender às necessidades de financiamento
do setor. Há uma década, disse, havia dez bancos
regionais em operação, onde as empresas podiam
buscar crédito. Mas esses bancos foram adquiridos ou
absorvidos por empresas internacionais, e não mais
oferecem crédito a empresas de médio porte em
condições aceitáveis.
Jereissati também pediu a formação de
parceria entre seu estado e a Lombardia. Formigoni aceitou
a proposta e disse que a pareceria será estabelecida
em bases igualitárias.
Infra-estrutura:
a chave para a integração
A integração
física, concretizada por meio de obras de infra-estrutura
destinadas a unir países vizinhos, é a base
para a integração da América Latina,
afirmou hoje o presidente do BID, Enrique V. Iglesias.
Ao abrir o seminário
Integração Física e Regional: Plano Puebla-Panamá
e América do Sul, realizado nesta cidade nordestina
no marco da XLII Reunião Anual da Assembléia
de Governadores do BID, Iglesias destacou, ainda, as vantagens
que os processos de integração oferecem para
acelerar o desenvolvimento econômico e social.
Em seu discurso,
Iglesias observou que a integração física
foi, por muito tempo, considerada uma questão ancilar
nas negociações comerciais. Hoje sabemos
que, na medida em que esses esforços avançam,
a integração física se torna uma questão
fundamental. É mais do que apenas um acessório,
é o esteio da integração. Assim foi para
a Europa, e assim certamente será para nós,
acrescentou.
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