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9 de março de 2002 |
FORTALEZA, Brasil
Economistas de renome e outros especialistas em América Latina
e Caribe alertaram hoje para o fato de que há uma reação
contra o processo de reformas que está varrendo a região,
acrescentando que serão necessárias novas abordagens no
combate a questões prementes como corrupção, desigualdade
de renda, arrecadações fiscais desiguais e desilusão
com a democracia. Um documento apresentado
por dois economistas, Eduardo Lora, assessor-chefe do Departamento de
Pesquisas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e Ugo Panizza,
economista do Banco, destacou a crescente insatisfação
com as reformas nos últimos anos, especialmente entre a classe
média. Pesquisas de opinião
recentes mostram que os latino-americanos têm um conceito muito
baixo das ondas de privatização de empresas estatais ocorridas
na década de 90: 63% dos entrevistados consideram o resultado
negativo. O que frustra os latino-americanos
não são as privatizações em si, mas a corrupção
que as cerca em alguns países, comentou Lora. Dois em três latino-americanos
estão insatisfeitos com os resultados da democracia e apenas
um em cada dois acreditam que a democracia é a melhor forma de
governo, segundo pesquisa de opinião sobre o tema. O documento concluiu que,
apesar da decepcionante taxa de crescimento registrada na década
de 90 e da recessão atual, a região deve dar prosseguimento
às reformas com maior cautela, integrando o fortalecimento de
instituições públicas e privadas para que as reformas
funcionem, enquanto se adotam medidas que propiciem o aumento de renda
em bases eqüitativas. O estudo observou, igualmente,
que algumas reformas foram mais bem sucedidas do que outras a
liberalização comercial e as reformas financeiras avançaram
bem, a reforma fiscal e as privatizações foram desiguais,
enquanto a reforma trabalhista foi insuficiente. Lora e Panizza apresentaram
seu documento no seminário A Reformulação
das Reformas, um dos vários eventos que acontecem em Fortaleza
no marco da 43ª Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Apesar da desigualdade que
caracterizou o processo de reformas na década de 90, a
renda per capita na América Latina é 11% superior ao que
seria sem as reformas, afirmaram Lora e Panizza. O presidente do BID, Enrique
V. Iglesias, e o economista-chefe do ministério do Planejamento
do Brasil, Joaquim Vieira Ferreira Levy, abriram o seminário,
que foi presidido pelo economista-chefe do BID, Guillermo Calvo. Os demais oradores foram
Andrés Velasco, professor da Universidade de Harvard; Augusto
de la Torre, técnico do Banco Mundial; a destacada economista
brasileira Eliana Cardoso; o ex-ministro da Economia da Argentina, José
Luís Machinea; e o ex-ministro da Fazenda do México, Angel
Gurría. Velasco declarou que serão
necessários muitos anos até que se tenham dados que permitam
avaliar a eficácia e a eficiência das reformas dos anos
90. No longo prazo, temos de ser mais otimistas, acrescentou. Segundo Machinea, a necessidade premente de reformas do início da década de 90 resultou em uma miopia em relação à sua forma de execução. |
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