Capa | Sumário | Assinatura | Números anteriores   



VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O custo da violência
Uma sangria para as economias da região



Embora os números sejam incompletos, sua mensagem é clara: a violência doméstica custa às economias da região milhões de dólares gastos em cuidados médicos, custos de polícia e justiça e perda de produtividade.

Segundo um estudo do Banco Mundial, um em cada cinco dias de trabalho que as mulheres perdem por problemas de saúde se deve a manifestações de violência doméstica.

O problema afeta também países desenvolvidos. No Canadá, um estudo mostrou que esse tipo de violência causa uma despesa anual de US$1,6 bilhão, incluindo atenção médica para as vítimas e perdas de produtividade. Nos Estados Unidos, diversos estudos determinaram perdas anuais entre US$10 bilhões e US$67 bilhões devido à violência doméstica.

Para a América Latina e o Caribe quase não há cifras disponíveis, porque somente muito recentemente começaram a realizar-se estudos sobre o impacto econômico da violência doméstica na região. Das vítimas de violência doméstica, parece que cerca de 95% são mulheres e que elas estão mais em risco do que os homens. A violência nas relações tende a aumentar com o tempo.

O impacto sobre a própria vítima da violência é o mais imediatamente visível: gastos médicos, absenteísmo, redução da renda familiar. Mas ele constitui apenas a ponta do iceberg face aos custos que o problema tem para a sociedade, seu impacto global sobre os sistemas de saúde, o aparato policial e o regime judicial. "Os custos indiretos podem superar amplamente os custos diretos", estima Mayra Buvinic, chefe da unidade do BID da Mulher no Desenvolvimento.

A violência doméstica também tem um sério impacto sobre a saúde da mulher grávida e dos bebês por nascer. Abusos físicos e psicológicos podem causar taxas mais altas de mortalidade infantil e pré-natal e levar a problemas de saúde que encurtam a vida produtiva da mulher.

Um estudo recente feito na Nicarágua mostrou que os filhos criados em famílias em que a mulher é submetida a violência são três vezes mais propensos a necessitar de consultas médicas e são hospitalizados com maior freqüência. Cerca de 63% dessas crianças repetem um ano escolar e em média abandonam a escola aos nove anos de idade, em comparação com a idade de 12 anos para os filhos de mulheres que não são vítimas de abusos graves.

A violência é uma doença que se auto-perpetua: quando as crianças são vítimas ou testemunhas de abusos em casa, tendem a imitar esse comportamento. Modelos e estereótipos sócio-culturais, tais como a percepção do lar da família latino-americana como um lugar sagrado e privado em que a sociedade não tem o direito de intervir, aumentam o problema.

O FATOR POBREZA.

Estudos feitos pelo BID analisam a relação entre a violência doméstica e outras variáveis sócio-econômicas, como a violência social e a pobreza.

"O nível de violência social determina em grande medida a capacidade de uma sociedade de alcançar um crescimento econômico sustentável", afirma Mayra Buvinic, que acrescenta que a pobreza é um fator de risco significativo para a violência doméstica. No Chile, por exemplo, os casos de abuso físico são cinco vezes mais freqüentes em grupos de baixa renda, enquanto os casos de violência grave são sete vezes mais comuns nesses grupos. Essa relação também se verifica em outros países.

Além disso, há evidências de que as mulheres vitimadas são mais pobres. Na Nicarágua, as mulheres vítimas de grave violência física percebem menos da metade do salário das outras mulheres.

Os dados mais recentes da América Latina mostram que uma maneira de reduzir a violência doméstica é aumentar a participação da mulher na força de trabalho, o que ao mesmo tempo promove o desenvolvimento econômico de um país.

O estudo do BID na Nicarágua determinou que 41% das mulheres que não têm trabalho remunerado são vítimas de violência física, ao passo que apenas 10% das que recebem salário fora de casa sofrem abuso físico. Por outro lado, as mulheres que têm renda não salarial estão bem menos sujeitas a abusos físicos por seus parceiros. Na Nicarágua, por exemplo, apenas 2,78% das mulheres que recebem apoio financeiro de outros membros de sua família são vítimas de violência física. O outro lado da moeda é que as mulheres que não têm renda própria - especialmente as que trabalham sem remuneração em negócios familiares - são mais freqüentemente vítimas de violência doméstica.

Uma estratégia possível para reduzir a violência doméstica seria, então, incentivar a participação da mulher na economia. Uma das maneiras mais eficazes de fazê-lo, segundo vários estudos, é ajudá-las a estabelecer microempresas. Em muitos países, uma grande parte dos microempresários são mulheres.

A magnitude dos custos da violência e o fato de que ela está enraizada profunda e persistentemente na trama social alertaram os governos para a necessidade de agir. Melhorar a condição da mulher e desenvolver seu potencial econômico é uma das vias para alcançar um crescimento econômico não apenas mais eqüitativo e sustentável mas também mais justo e mais humano.


------------------------------------------------

Uma dura realidade

--- No Chile, um estudo recente revelou que quase 60% das mulheres que vivem com um companheiro estavam sujeitas a alguma forma de violência doméstica e mais de 10% eram submetidas a agressão física grave.
--- Na Colômbia, mais de 20% das mulheres eram vítimas de agressão física, 10% de abuso sexual e 34% de abusos psicológicos.
--- No Equador, 60% das residentes em bairros pobres de Quito eram espancadas por seus companheiros.
--- Na Argentina, 37% das mulheres espancadas pelos maridos passavam 20 anos ou mais suportando abusos desse tipo.




OS NÚMEROS MAIS RECENTES

Um estudo do BID sobre violência doméstica realizado na Nicarágua em 1997 produziu resultados que ilustram o que sucede hoje na região.
--- 32,8 % das mulheres entre 16 e 49 anos de idade já foram vítimas de séria violência física (golpes, lançamento de objetos, uso de instrumentos perfurocortantes, queimaduras e empurrões fortes).
--- 45% das mulheres foram ameaçadas, receberam gritos, insultos ou presenciaram a destruição de seus bens pessoais.
--- 13,8% das mulheres informaram ter tido contusões em conseqüência de golpes de seus cônjuges.
--- 63,1% dos filhos das mulheres vítimas de violência física repetiram alguma vez um ano escolar.
--- Os filhos de mulheres vitimadas por violência física grave abandonam a escola em média quatro antes do que as outras crianças.
--- Em lares onde ocorreram episódios de grave violência física contra a mulher, os filhos são 100 vezes mais propensos a ser hospitalizados.
--- 41% das mulheres que não recebem remuneração por seu trabalho são vítimas de violência física, enquanto que apenas 10% das mulheres que trabalham fora de casa e recebem salário o são.



PORTADA
ACERCA DEL BID | DEPARTAMENTOS | INVESTIGACION Y ESTADISTICAS | OPORTUNIDADES DE NEGOCIOS | POLITICAS | PRENSA Y PUBLICACIONES | PROYECTOS |  SECTOR PRIVADO