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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Dor privada, assunto público



"Ele vinha de uma excelente família", conta Lauralee Romole-roux a respeito de seu ex-marido, o homem que a espancou muitas vezes durante os anos em que estiveram casados. "Ele estava muito bem de vida. Ninguém acreditava que ele me batia."

Sua história está longe de ser incomum. Ao contrário, reflete a realidade diária de muitas famílias na América Latina. Em alguns países da região, espancamentos e violência no lar são parte da vida da maior parte das mulheres que vivem com um companheiro.

De 25% a mais de 50% das mulheres latino-americanas - dependendo do país em que vivem - são vítimas de algum tipo de violência doméstica. Sua forma mais explícita é o abuso físico - espancamentos, empurrões, sacudidas -, mas a violência doméstica assume muitas outras formas: abuso verbal, cerceamento da liberdade e ações que visam destruir a auto-estima.

Os limitados dados disponíveis para a América Latina nos alertam para a gravidade do fenômeno e a necessidade de proteger suas vítimas. Mais importante ainda, sublinham a necessidade urgente de prevenção.

Em primeiro lugar, é imperativo obter informações mais detalhadas em cada país da região. é preciso determinar os fatores de risco, o impacto físico e psicológico da violência sobre as vítimas, os custos econômicos diretos que acarreta e seus efeitos sobre a família e a comunidade. É preciso também levantar dados fidedignos sobre a magnitude dos custos indiretos associados à violência no lar e estimar a repercussão econômica do problema em áreas tais como os gastos com a saúde e os serviços sociais, a justiça e a perda de produtividade.

O BID está apoiando diversas iniciativas para despertar a consciência da opinião pública, mediante debates televisionados, seminários e um intercâmbio hemisférico de informação. Ao mesmo tempo, o Banco está identificando modelos para enfrentar o problema em sua totalidade, abrangendo desde a saúde pública até as organizações civis, passando pela polícia, justiça e legislativos.

Os meios de comunicação de massa, com seu enorme poder de difusão, desempenham um papel chave na sensibilização da comunidade para o problema, na mudança de atitudes dentro da família, na denúncia dos abusos para evitar que se repitam e na discussão sobre as melhores estratégias para enfrentar o flagelo como pessoas e como sociedade.




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