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As organizações peruanas de mulheres receberam no dia 7 de março último um impulso inesperado: o jornal americano "The New York Times" publicou nesse dia uma reportagem sobre quão desprotegida é a situação legal das vítimas de estupro no Peru. A história parecia mentira: uma mulher, estuprada por uma gangue, estava sendo pressionada pela família e a sociedade para aceitar a oferta de casamento de um de seus estupradores. Os outros homens que a violaram ameaçavam cortar seu rosto se rejeitasse o pedido de casamento. A explicação? Simples: a lei estabelece - como em 14 outros países latino-americanos - que um violador é exonerado se oferece casamento a sua vítima e ela aceita. A notícia teve uma grande repercussão depois de sua publicação no jornal americano. A história foi discutida na CNN, na BBC e em diários de todo o mundo, ao mesmo tempo em que começou a ser discutida nos meios de comunicação locais. "Por aparecer em ‘The New York Times', a notícia teve muito mais visibilidade", lembra Virginia Vargas, presidente da organização de mulheres Centro Flora Tristán. "Foi muito positivo para nós. O interesse da imprensa estrangeira repercutiu também dentro do país." Os jornais locais publicaram editoriais pedindo justiça e os programas de televisão passaram a debater abertamente o tema. A deputada Beatriz Merino, autora de um projeto não aprovado para eliminar esse dispositivo legal, foi convidada para vários programas de televisão para explicar seu ponto de vista. "Foram feitas reportagens especiais com mulheres que tinham sido violadas e isso ajudou enormemente: a opinião pública impulsionava a imprensa mas também estava sendo levada por ela", explicou Vargas. "Elas se fortaleciam mutuamente." Das palavras se passou à ação. A forte pressão da opinião pública conseguiu a eliminação da cláusula da lei que absolvia automaticamente os violadores que se casavam com suas vítimas. VÍDEO EXAMINA O TEMA. O caso ilustra o poder dos meios de comunicação para expor uma situação à luz pública, discuti-la e promover uma mudança. Por esse motivo, o BID produziu um documentário para televisão sobre violência doméstica, o qual faz parte de uma campanha para gerar consciência sobre o alto custo humano, econômico e social do problema. O vídeo inclui entrevistas com mulheres vítimas da violência doméstica e também com os agressores, além de especialistas e representantes de organizações de mulheres. O vídeo foi difundido recentemente na Nicarágua e no México, acompanhado de um debate televisionado com especialistas dos setores público e privado. Em ambos os países o impacto foi considerável. No México, o programa foi transmitido pela Televisa, a principal cadeia de televisão do país, e durante a transmissão foram recebidas mais de 3.000 chamadas telefônicas de pessoas que queriam dar sua opinião ou contar suas experiências. O documentário, intitulado "Vidas destruídas, confiança perdida: quando o homem maltrata a mulher", está sendo difundido em toda a região e é a pedra angular da campanha lançada pelo BID de tomada de consciência quanto ao problema. A discussão do tema nos meios de comunicação pode bem ser o elemento mais importante da passagem da violência doméstica da esfera privada para a pública. "A imprensa está começando a articular em meu país uma resposta ética à violência", conclui Vargas. "Isso nunca aconteceu antes." |
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AÇÃO CONTRA A AGRESSÃO O BID empreendeu uma série de medidas para chamar a atenção para a violência doméstica e para mudar a forma como a sociedade encara o problema. --- A realização de uma série de seminários e foros sobre o tema em 1996 culminou com uma conferência na sede do Banco em outubro de 1997. Analisaram-se os custos sociais e econômicos da violência doméstica, identificaram-se estratégias e estabeleceu-se um diálogo com os meios de comunicação. --- O Banco financiou estudos sobre o impacto sócio-econômico da violência doméstica no Chile, na Nicarágua, no México e no Caribe, além de programas-piloto para educar os juízes sobre o tema em cinco países: Argentina, Brasil, Chile, Equador e Uruguai. Ajudou também a criar redes integradas de prevenção e tratamento das vítimas da violência doméstica em seus países: Argentina, Brasil, México, Paraguai, República Dominicana e Venezuela. --- Um documentário produzido pelo BID e um debate televisionado sobre violência doméstica foram exibidos em dez países da região: Argentina, Brasil, Chile, Jamaica, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela. |
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