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Ética e Desenvolvimento BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO Iniciativa Interamericana do Capital Social, Ética e Desenvolvimento |
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Agosto 21, 2003 www.iadb.org/etica |
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"Um povo não é verdadeiramente livre enquanto a liberdade não esteja incorporada nos seus costumes e identificada com eles" - Mariano José de Larra
Perguntas? Sugestões?
Créditos
Coordenador Geral Bernardo Kliksberg
Coordenador Geral Adjunto Liliana Basile
Alan Wagenberg
Pesquisadora Mariana Pargana
Tradutoras Agustina Fraquelli Mariana Pargana
Redação Gabriel Mops Maria Loreto Torres
Sistemas Francisco Gallo |
SEMINARIO INTERNACIONAL O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) convoca as pessoas interessadas em apresentar experiências sobre o papel do capital social no Paraguai e na América Latina. O concurso está aberto ao público geral. Os trabalhos selecionados terão a oportunidade de serem apresentados durante as mesas do Seminário. Mais informação sobre o concurso, agenda preliminar e formulário de inscrição podem ser acessados no site: http://www.iadb.org/etica NOVOS SERVICOS DA INICIATIVA Livros para Ler. COLECAO DE RESUMOS: O QUE ESTA ACONTECENDO NA FRONTEIRA TECNOLOGICA DO CAPITAL SOCIAL E ETICA PARA O DESENVOLVIMENTO? "A Violência e o Capital
Social nas Comunidades Urbanas Pobres. Perspectivas da Colômbia e
Guatemala" por Cathy McIlwaine e Caroline O. N. Moser. ARTIGO RECOMENDADO "Na
América Latina, as Crianças Levam a Pior" de Bernardo
Kliksberg. NOTICIAS BID Promove Responsabilidade
Social Empresarial na América Latina. Desenvolvimento e os Povos
Indígenas. OPORTUNIDADES Bolsas de Inscrição para o
Encontro Internacional "Capital Social: Gerador de um Mundo Melhor". Curso: Programa de Gerência
Política de Governabilidade. Curso de Verão "Universidade
e Cooperação: Debatendo um Desafio". CALENDARIO Curso "Reconstrução
Social Corporativa: Como Reduzir os Efeitos Negativos no Trabalho". "V Conferência
Internacional Sobre Serviço Comunitário Social". LINKS DE INTERESSE Desafios Iko Poran - Programas
Internacionais de Voluntariado. Pelas Crianças COMPARTA COM A INICIATIVA Se você deseja compartir notícias ou eventos nas próximas edições do boletim de Ética e Desenvolvimento, você pode pedir a publicação deles através do link: http://www.iadb.org/etica/contacto.htm. Favor incluir a informação de contato, data do evento e website do evento. LINK A OUTROS BOLETINS DE
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Na América latina as crianças levam a pior parte
Bernardo Kliksberg Economista e Diretor da Iniciativa de capital social ética e desenvolvimento (BID)
Quando se confronta com os dados, se descobre que as crianças são as mais prejudicadas na América Latina. 58% das crianças menores de cinco anos de idade são pobres e o mesmo sucede com 57% das crianças entre 6 e 12 anos. Num continente com grande capacidade de produção de alimentos, 36% das crianças menores de dois anos de idade estão em situação de "alto risco alimentar".
Na América Central e mesmo na Argentina crianças morrem de fome. Isso é muito estranho com a economia num país como Argentina, que é o quinto produtor de alimentos do mundo, e onde uma em cada cinco crianças está desnutrida.
Segundo as ciências médicas, a desnutrição em idades menores de cinco anos causa déficit no desenvolvimento intelectual, doenças respiratórias agudas, doenças infecciosas em geral e pode culminar, como sucedeu na Argentina, com casos de morte. Dos 6 a 12 anos pode causar raquitismo, déficit no crescimento, vulnerabilidade e perturbação das funções do sistema nervoso.
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, 190.000 crianças latinas americanas morrem por ano de doenças relacionadas à pobreza (diarréia e doenças respiratórias).
Ninguém discute que as crianças deveriam ter o direito de estudar. Os países mais avançados conseguem que as suas crianças completem o pré-escolar, a primária e a secundária. Na América latina, apenas uma em cada cinco crianças vai ao pré-escolar e de todos que iniciam a primária, 37% dos adolescentes de 15 a 19 anos deixam a escola, quase metade deles antes de terminar a primária.
As altas taxas de abandono e repetição escolar estão concentradas em grandes números na população infantil pobre. As crianças pobres têm a mesma vontade de estudar que os demais, mas não podem. Uma parte abandona por desnutrição; outra, muito relevante, porque trabalha.
De acordo com a OIT há 22 milhões de crianças menores de 14 anos que trabalham longos dias na região. Denominam o feito de "escravidão forçada" dadas as condições lesivas a sua saúde e educação e a exploração a que são submetidos. Na Bolívia, Peru e Equador a porcentagem de crianças trabalhadoras entre as idades de 10 e 14 anos excede 20% (BID, 2002).
Uma terceira razão pelo abandono das crianças pobres é que muitos vêm de famílias desarticuladas pela pobreza. Este é um dos maiores sofrimentos "silenciosos" em que vivem diariamente as crianças latinas americanas.
O equilíbrio emocional, o desenvolvimento afetivo e psicológico, a formação de valores, a formação de uma cultura de saúde preventiva, o desenvolvimento das qualidades intelectuais básicas, tudo isso depende da família. Esta instituição é decisiva na vida e, de grande peso no desempenho institucional e macro-econômico dos países, está seriamente ameaçada na região pelo avanço da pobreza. Os ajustes sócio-econômicos agudos e o desemprego prolongado criam extrema tensão na família, e em vários casos há uma "implosão" e a família se separa. Normalmente apenas a mãe fica a frente da família. Mais de 25% dos lares latinos americanos estão nesta situação.
Na Argentina, a destruição das famílias por deterioração econômica também tem tido expressões agudas nos estratos médios. De 1990 ao 2000, as políticas aplicadas levaram a que 7 milhões de pessoas, 20% da população, caíssem da classe media a pobreza. O desemprego foi de 21% nos anos 90.
Se o quadro familiar desemboca em violência doméstica -que está em ascensão na região- os danos são extremos. Um estudo do BID na Nicarágua mostra que os filhos de famílias com violência familiar são três vezes mais propensos a assistir a consultas médicas, serem hospitalizados com maior freqüência e abandonar a escola, em media aos 9 anos de idade.
Merecem atenção especial os que são chamados "meninos de rua", já que é a expressão extrema de que algo não está certo nas nossas sociedades. Cada vez são mais os números. Encontram-se morando nas ruas de Buenos Aires, Rio, São Paulo, Bogotá e qualquer cidade importante da região. Vivem em extrema pobreza, sua saúde é ínfima e seu maltrato, extremo. Um estudo do BID em Honduras demonstra que 60% das 20.000 crianças nesta condição em Tegucigalpa sofrem de depressão e 6 em cada 100 optam por suicidar-se. 1300 crianças e jovem foram assassinados nas ruas nos últimos quatro anos, segundo denunciou a Casa Aliança, uma ONG que defende eles.
Diversos organismos internacionais lançaram uma campanha para parar de chamar eles meninos de rua; admitindo que é um termo enganador, porque parece que a rua foi escolha deles. O Padre Cesare de la Rocca do Brasil destaca: "Não existem crianças de rua, apenas crianças fora da escola, da família e da comunidade". Isso comprova que a sociedade inteira não está cumprindo com as suas funções elementares.
O verdadeiro sucesso
Provavelmente o parâmetro mais importante para avaliar se uma economia é de sucesso não são as medidas econômicas convencionais mas o que fazem pelas crianças, como asseguram os direitos indiscutíveis que lhes destina pela ética mais básica e as constituições democráticas. Muitos países da América latina estão longe de passar este teste.
É hora de que o discurso consensual sobre a infância se traslade aos feitos concretos. Necessitam-se políticas públicas que realmente sejam responsáveis de garantir a todas as crianças os seus direitos indiscutíveis de nutrição, saúde, educação e o desenvolvimento e que protejam decididamente a família.
Estamos numa encruzilhada. As políticas podem ir numa ou outra direção. Existe, por exemplo, quem prometa uma solução muito "simples" para as crianças delinqüentes, como baixar a idade para poder prender elas. Em nenhuma sociedade avançada do mundo se faz isso hoje em dia. Todo o esforço está voltado a sua reabilitação, porque está comprovado que a melhor maneira de reduzir as taxas de crianças e jovens delinqüentes é investir no fortalecimento da família, aumentar a educação e criar oportunidades de trabalho no caso dos jovens (hoje se estima que a taxa de desemprego juvenil latino americana supera 20%).
Temos que atuar com urgência. As gerações futuras julgaram a América latina mais do que qualquer coisa pelo que se fez pela sua gente, e sobre tudo, pelas suas crianças.